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Kampibe Ajamu por Rosildo Barcellos

Comunidade Tia Eva Foto Jociane Cecilia

Kampibe Ajamu

                                              Rosildo Barcellos

   É cediço que o desenvolvimento local tem sido aproveitado e aplicado como solução a incapacidade das políticas públicas centralizadas em dar respostas às demandas sociais. Famílias em situação de exclusão social e grupos sociais marginalizados devem ser vistos não só como os constituintes das populações atendidas pelos programas desenvolvidos nesse contexto, mas também o conjunto das organizações envolvidas.

   Citarei como exemplo a comunidade quilombola de São Miguel, no município de Maracaju, que foi a primeira comunidade de Mato Grosso do Sul a receber, em definitivo, o título de propriedade da terra. A área possui 333 hectares e abriga 16 famílias com 80 pessoas. Para se ter uma ideia do tempo de espera, para este fim A comunidade de São Miguel foi certificada pela FCP – Fundação Cultural Palmares – em 2005.

   Nesta dinâmica os projetos profissionais anulam-se, constroem-se ou reconstroem- se em função de forças e poderes presentes, e desta feita ainda existe uma seara imensa a percorrer. Por exemplo, precisamos discutir sobre a implementação da lei 11.645/2008 e a lei 10.639, de 9 de janeiro de 2003, – que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da temática “História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena” para que estes temas estejam sempre presente nos nossos objetivos futuros.

   Existem núcleos conhecidos como o Furnas dos Dionísio, Furnas de Boa Sorte e São Benedito. Os dois primeiros, comunidades rurais , São Benedito é hoje um dos bairros da capital. Lembrando um pouco da história a Furnas do Dionísio leva esse nome porque o seu primeiro morador teria sido um senhor conhecido pelo nome de Dionísio, que chegou naquelas terras, localizadas dentro dos limites do município de Jaraguari há cerca de 100 anos atrás. a 40 Km da Capital.

   São Benedito, por sua vez, teria como sua primeira morada a matriarca Eva Maria de Jesus. Segundo os que contam os seus descendentes, Eva era benzedeira e possuía uma inabalável fé católica. Construiu em torno de 1910, uma pequena igreja de madeira, hoje reconstruída em alvenaria e conhecida na cidade como “A Igrejinha”.   Furnas de Boa Sorte e a comunidade mais distante de Campo Grande, no município de Corguinho. Somente através da Constituição Federal de 1988, a questão quilombola entrou na agenda das políticas públicas. Fruto da mobilização do movimento negro, o Artigo 68 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT) diz: “Aos remanescentes das comunidades dos quilombos que estejam ocupando suas terras é reconhecida à propriedade definitiva. 

   Em Corumbá, foi aprovada em votação simbólica, em uma sessão de março de 2012 da Câmara Municipal, a utilidade pública a Associação Quilombola Ribeirinha Família Ozório. Só para lembrar a valorosa comunidade, localizada na alameda Vulcano, no Centro de Corumbá, é formada por 400 pessoas, que são descendentes de quilombolas, por isso possuem o título de “Remanescentes de Quilombo”.  Fato interessante que registro é que na redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2022 teve como tema “Desafios para a valorização de comunidades e povos tradicionais no Brasil”. Mormente, cabe a nós que abraçamos esta causa e estamos empunhando esta bandeira elevá-la ao ponto mais alto e dizer a que viemos. O país depende de nossa força de trabalho e de nossa vontade de servir ao próximo.  É esse o exemplo de luta que é o legado da comunidade negra no Brasil. Por derradeiro desejo que essa luta não esmoreça ou ”Kampibe Ajamu” – que na língua (Iorubá), do continente africano Malauai, quer dizer: Vá e Veja! lute pelo o que quer.

*Articulista

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