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Com ‘super lote’ da Janssen, cidades fronteiriças de MS devem iniciar vacinação em massa nesta sexta

Por José Câmara, G1 MS

Vacina da Janssen serão usadas em estudo científico.  — Foto: Divulgação/Prefeitura

Vacina da Janssen serão usadas em estudo científico. — Foto: Divulgação/Prefeitura

Mato Grosso do Sul recebeu um “super lote” de vacinas da Janssen, com 207.050 doses, nesta quinta-feira (1º). Boa parte dos imunizantes produzidos pela Johnson & Johnson serão destinados aos municípios que fazem fronteira com o Paraguai e Bolívia. Algumas cidades já estão se preparando para o início da imunização em massa dos moradores nesta sexta-feira (2).

Das doses que chegaram, 165.500 delas serão enviadas aos seguintes municípios: Mundo Novo; Japorã; Sete Quedas; Paranhos; Coronel Sapucaia; Aral Moreira; Ponta Porã; Antônio João; Bela Vista; Caracol; Porto Murtinho; Corumbá; Ladário. As outras 41.550 doses serão distribuídas entre os outros 66 municípios de Mato Grosso do Sul.

Corumbá já divulgou a população o calendário de vacinação em massa. Na cidade que faz fronteira com a Bolívia, a imunização começará nesta sexta-feira (2) a partir das 7hs, para pessoas com 30 anos ou mais. Neste link, você tem acesso aos locais de vacinação em Corumbá.

Em Ponta Porã, na divisa com o Paraguai, o processo de imunização de toda a população com mais de 18 anos começará nesta sexta-feira (2). Serão três pontos de vacinação e os moradores devem apresentar documentos originais: RG, CPF, Cartão do SUS e comprovante de residência.

Além das documentações necessárias, como apenas uma rua separa a cidade sul-mato-grossense do Paraguai, a apresentação de no mínimo um vínculo de comprovante com o município será imprescindível.

Para a prefeitura de Ponta Porã, valem como documento de vínculo: título de eleitor; carteira de trabalho; contrato de aluguel (registrado em cartório a mais de 60 dias); cadastro de usuário em algum programa social do município. Veja o cronograma na imagem abaixo:

Ponta Porã estima imunizar toda a população do município em seis — Foto: Reprodução

Ponta Porã estima imunizar toda a população do município em seis — Foto: Reprodução

Relação de doses para cada cidade fronteiriça

  1. Antônio João – 2.490 doses;
  2. Aral Moreira – 9.005 doses;
  3. Bela Vista – 9.630 doses;
  4. Caracol – 2.405 doses;
  5. Coronel Sapucaia – 1.585 doses;
  6. Corumbá – 49.940 doses;
  7. Japorã – 400 doses;
  8. Ladário – 14.440 doses;
  9. Mundo Novo – 9.145 doses;
  10. Paranhos – 2.985 doses;
  11. Ponta Porã – 51.620 doses;
  12. Porto Murtinho – 7.220 doses;
  13. Sete Quedas – 4.635 doses.

O estudo

Imagine um cenário: 13 cidades de Mato Grosso do Sul, mais de 150 mil doses da vacina Janssen e toda a população de 18 a 50 anos destas localidades imunizada contra Covid. Chamado de “cinturão de imunização”, este será um estudo realizado nos municípios fronteiriços do estado, a fim de averiguar a eficácia da vacina e uma possível de rebanho.

A iniciativa faz parte de estudo do Vebra Covid-19 (Vaccine Effectiveness in Brazil Against COVID-19), que tem como objetivo principal pesquisar a efetividade e impacto da vacinação em massa na região de fronteira de Mato Grosso do Sul com Bolívia e Paraguai.

O “cinturão de imunização” será comandado pelo médico infectologista e pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Júlio Croda. O estudo, além da Fiocruz, envolve também a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Stanford University, Yale University, Instituto de Salude Global de Barcelona, Universidade da Florida e outras instituições científicas.

Com a vacinação em massa, será avaliado o impacto de imunização de pessoas entre 18 a 50 anos em 13 cidades de Mato Grosso do Sul que fazem fronteira seca com a Bolívia e Paraguai.

Croda explica que após 14 dias da aplicação da dose única da Janssen, tempo estimado para a imunização com o produto produzido pela Johnson & Johnson, as análises serão feitas diante da possível redução de riscos de forma sintomáticas, graves e óbitos pelo novo coronavírus.

O especialista e líder do estudo destaca que um dos impactos do estudo será a avaliação da eficácia da vacina perante as variantes da Covid. De acordo com o último boletim epidemiológico divulgado pela SES, Mato Grosso do Sul possui 14 variantes do coronavírus em circulação no estado.

Ainda segundo Croda, um dos principais pontos de análise entre a eficácia da vacina é quanto à P.1, variante brasileira detectada inicialmente em Manaus, por causa da circulação de pessoas de pessoas dos outros países em Mato Grosso do Sul.

“Avaliar o impacto da vacina no que diz respeito a imunidade direta, coletiva ou de rebanho. Mas também avaliar a proteção para novas variantes, principalmente a P1, que é predominante em todo estado. O objetivo é entender se a vacina continua funcionando para esta nova variante e qual impacto dessa vacinação em massa em todas as 13 cidades de fronteira de Mato Grosso do Sul”, destaca Croda.

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