O ex-prefeito de Campo Grande e pré-candidato ao governo de Mato Grosso do Sul, Marquinhos Trad (PSD), é investigado, com outras três pessoas, em inquérito da Polícia Civil por suspeita de assédio sexual, importunação sexual, favorecimento a prostituição, estupro e tentativa de estupro.
O inquérito foi aberto a partir dos depoimentos de quatro mulheres feitos entre os dias 4 e 5 de julho, na Corregedoria da Polícia Civil.
As vítimas disseram nos depoimentos que teriam mantido relações sexuais com o prefeito, inclusive no banheiro do gabinete dele, na prefeitura, com a promessa de vantagens, como um emprego público.
Uma delas chegou a ser encaminhada para o Programa de Inclusão Social (Proinc), que é gerido por uma entidade da administração indireta do município, a Fundação Social do Trabalho (Funsat).
As advogadas de Trad, Andrea Flores e Rejane Alves de Arruda, negam as acusações e dizem que se trata de armação política.
As advogadas de Trad, Andrea Flores e Rejane Alves de Arruda, negam as acusações, dizem que se trata de armação política. — Foto: TV Morena/Reprodução
Entretanto, relatam que o ex-prefeito admitiu, até para a própria esposa e filhas, que manteve relações sexuais consentidas com duas das quatro mulheres que prestaram depoimento.
Elas ressaltam que o ex-prefeito não tinha relação de subordinação com nenhum das “supostas vítimas”, o que descaracterizaria a denúncia por assédio e a mulher que obteve a colocação no Proinc teria conseguido a vaga por seleção após o fim do relacionamento.
As advogadas apontam que as mulheres que fizeram a denúncia contra a Trad receberam dinheiro de adversários políticos do ex-prefeito para fazer a “falsa” comunicação de crime e que, uma delas, arrependida teria registrado nova versão em cartório. Elas dizem que estão reunindo provas, como prints de transferências bancárias, conversas por Whattsapp e até vídeo para pedir apuração da polícia pelos crimes de denunciação caluniosa, violação de segredo e abuso de autoridade.
O delegado-geral de Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, Roberto Gurgel, disse que a corporação não recebeu informação sobre essa suposta cooptação, mas que assim que receber a denúncia ela será apurada. Ressaltou ainda que a investigação é técnica e não tem nenhuma conotação política.
Delegado-geral de Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, Roberto Gurgel, em entrevista sobre as investigações contra o ex-prefeito nesta terça-feira (26) — Foto: Reprodução/TV Morena
As mulheres que fizeram a denúncia têm entre 21 e 30 anos e todas são garotas de programa. O caso está sob sigilo de Justiça. O prazo para a conclusão das investigações é de 30 dias, mas pode ser prorrogado. O ex-prefeito ainda não foi ouvido.
A delegada responsável pelo caso, Maíra Pacheco, adjunta da Delegacia Especializada de Atendimento a Mulher (DEAM), aponta que já recebeu novas denúncias contra Trad, mas não quis precisar a quantidade de vítimas, em razão do sigilo do processo.
Maíra diz que foi criado, inclusive, um canal via Whattsapp para o recebimento dessas denúncias. A delegada diz ainda que pediu a Justiça medidas protetivas para três das vítimas e a apreensão do celular de Trad. Os pedidos, entretanto, foram negados. Ela explicou que o judiciário entendeu que não se tratava de caso de aplicação da “Lei Maria da Penha”.
A defesa também criou um canal para receber informações. O objetivo, conforme às advogadas, é que mulheres que tenham supostamente recebido dinheiro para depor contra o ex-prefeito, possam entrar o contato para esclarecer a situação.