Lutiê do bandoneon por Rosildo Barcellos

Desde a Pré-História, a música faz parte da vida social do homem e, pelo menos desde Pitágoras – que viveu no século 6 a.C., na Grécia Antiga –, sabe-se que um mínimo de proporções matemáticas rege as relações entre as notas musicais.
Hoje a conversa adentra o território do Chamamé. O homenageado desta semana é Manoel Alfredo Ferreira conhecido como Elinho do Bandoneon figura entre os maiores representantes do chamamé no estado de Mato Grosso do Sul. Até 1980, tocava acordeon, depois, encantou-se com o instrumento argentino, o bandoneon. Foi para Corrientes – Argentina, a fim de aprender a tocar e lá permaneceu por 5 anos.Na volta sua bagagem não trazia apenas roupas mas a magia de tocar o delirante bandoneon, inclusive a técnica de consertar o instrumento. Lá ficaram o respeito entre os músicos chamamezeiros daquela cidade, e grandes amizades.
Sua contribuição para a difusão e valorização da música do estado é que fazem-no estar enre as celebridades que tem sua história contada aqui no Classe A. Não há como falar da música sul-mato-grossense sem trazer à tona o nome de Elinho do Bandonéon. Professor de música, educado, sempre atendendo a todos que o convocam, encontrei-o no show do Tostão Mineiro, com a mesma alegria e humildade. Músico de refinada técnica musical é um artista que se destaca na história da música do estado. Sua carreira musical conta com muitos discos gravados, infinidade de shows e apresentações culturais.
Quando pergunto sobre a música ele derrama uma pérola: La música hace eso, une las personas. Assim foi ” Elinho Del Bandonéon”; eu friso o “sobrenome” porque cabe uma explicação : apesar das aparências, bandonéon e acordéon são bem distintos. O instrumento portenho produz o som a partir da vibração de palhetas internas de aço rebitadas em chapas de metal. Já no acordeon o ar do fole passa por entre duas palhetas, que vibram mais grave ou agudo de acordo com a distância entre elas. O acordeon foi inventado por um francês, o bandonéon por um alemão chamado Henrich Band em 1835. Depois, o bandoneón começou a ser fabricado por uma empresa que batizou o instrumento com o nome que ele tem hoje: bandonéon o que significa a união entre a empresa e o inventor do instrumento Band, Bandoneon.
Helinho é considerado uma verdadeira lenda do chamamé. Possui extenso currículo de apresentações na América do Sul e em outros estados brasileiros. Um veterano do bandoneon, do qual, além de mestre instrumentista, é também lutiê. Os lutiês empregam os mesmos tipos de material, tamanho, traçado e pormenores como moldagem, serragem, envernizamento, secagem, montagem e colagem em um instrumento e o tornam praticamente únicos.
Isto posto, a cultura de nosso Estado tem muito a agradecer a tenacidade e competência musical de Elinho do Bandoneón. Graças a Deus, deixou um legado maravilhoso, seus alunos que também estão chegando no Hall da Fama e seus filhos, aliás que eu assisti, um deles o acompanhando no Dia do Chamamé. Pra quem aprendeu com Paquito Aranda e Jorge Balmaceda ouvir Elinho do Bandoneón tocar é rechear os ouvidos de sons da natureza e preencher os vazios do coração e isto desde quando tocava gaita de boca, arte que aprendeu com sua mãe, Maria Elpídia.
*Articulista




