Após suspensão de licitação, governo requisita novo cronograma para obra de ponte sobre Rio Paraguai

Após o presidente do Paraguai, Mario Abdo Benítez, suspender a licitação para construção da ponte sobre o Rio Paraguai, em Porto Murtinho, o governo de Mato Grosso do Sul já entrou em contato com o Ministério das Relações Exteriores, requisitando que seja ao menos apresentado pelo país vizinho um novo cronograma para obra.

“Primeiro pedimos a manutenção do cronograma, se não for possível que ao menos se mantenha o processo licitatório, alterando o cronograma da obra, mesmo com atraso, pois gera uma preocupação e insegurança sobre as perspectivas do projeto. Esperamos que a diplomacia brasileira faça um trabalho imediato neste sentido”, explicou o titular da Semagro (Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar), Jaime Verruck.

O secretário explicou que foi suspensa apenas a licitação da ponte e não todo projeto. “O presidente tomou a decisão de alocar US$ 30 milhões que seria usado na construção da ponte para os fundos sociais do País, para utilizar no combate à Covid. Por esta razão ele suspendeu o processo (licitatório) ”, destacou.

Verruck ponderou que a decisão traz preocupação sobre a alteração nos prazos da obra e que por isso é importante a sinalização do governo paraguaio sobre a apresentação de um novo cronograma. “Vamos levar esta posição do Estado à Comissão Mista que trata sobre a obra, no qual fazemos parte. Acredito que a ponte vai sair, até porque ela é a essência da rota bioceânica”.

Titular da Semagro, Jaime Verruck (Foto: Edemir Rodrigues)

Reunião

O secretário sugere que seja convocada uma reunião extraordinária para Comissão Mista de Brasil e Paraguai, que trata sobre o projeto da ponte para que o assunto seja discutido. “Por se tratar de um acordo internacional e ter uma ação de reciprocidade, seria importante que o assunto seja discutido entre os dois países”.

No acordo estabelecido, o Itaipu Brasil financiaria a construção a ponte entre Foz do Iguaçu (PR) e Presidente Franco (Paraguai), enquanto que a Itaipu Paraguai seria responsável pela ponte em Porto Murtinho e Carmelo Peralta. Duas importantes obras que fazem parte da rota bioceânica.

“Do lado brasileiro o projeto da ponte em Foz do Iguaçu segue em andamento, além dele existem vários investimentos da iniciativa privada para rota bioceânica e outras obras previstas, como o acesso da ponte (Porto Murtinho) até a BR-267, que será conduzida pelo Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes”, citou Verruck.

Projeto

Considerado o principal projeto para efetivar a rota bioceânica, a ponte sobre o Rio Paraguai, que vai ligar as cidades de Porto Murtinho e Carmelo Peralta, terá um investimento previsto de US$ 82 milhões de dólares, tendo como responsável a Itaipu Binacional.

A ponte vai dispor de 680 metros de cumprimento, com 380 metros de luz livre, 22 metros de altura, duas torres com 100 metros de altura, viadutos de 150 metros em ambos os lados e pilares de luz a cada 30 metros. A estrutura terá duas pistas de rolagem de veículos de passeio e caminhões, com 12,5m de largura, além de duas passagens nas laterais, com 2,5m cada uma, para o trânsito de pedestres e ciclistas.

No mês passado tinha sido publicado o edital de licitação pública para definir qual seria o consórcio de empresas que iria assumir a obra da ponte, tendo inclusive marcado para o dia 26 de abril a abertura das propostas. A expectativa é que a obra fosse concluída até julho de 2024.

A obra sempre foi descrita como fundamental pelos dois países para alavancar a rota bioceânica, que visa encurtar o caminho para o Oceano Pacífico a partir dos países sul-americanos e assim dar mais competitividade nas exportações e melhores condições nas importações aos países envolvidos, inclusive o Estado do Mato Grosso do Sul.

Em paralelo o governo do Estado segue viabilizando várias obras de infraestrutura, como o acesso a BR-267 junto ao governo federal, assim como investimentos na cidade de Porto Murtinho, entre elas R$ 25,2 milhões no contorno rodoviário e mais R$ 2,5 milhões no trevo da BR-267, que disciplinará a movimentação de caminhões no posto de triagem para 400 veículos.

Leonardo Rocha, Subcom

COMPARTILHE AGORA MESMO
Compartilhar no facebook
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no telegram
Compartilhar no twitter
COMENTE AGORA MESMO!