Arara dorme nos braços de criança enquanto menina canta ‘canção de ninar’, em MS

Por José Câmara, G1 MS

Maitê de apenas 5 anos, tem uma amiga diferente, a Pipoca, uma arara, que também é conhecida pelo nome de Ara-maracau ou Ara-canga. O pai da criança, o economista Fernando Abrahão, relembrou que ave chegou à casa da família ainda com 45 dias de vida.

Após a nova integrante se familiarizar com todos na casa de Fernando, as redes sociais do economista ganhou fotos e vídeos que mostram a interação da arara, Pipoca, com os demais familiares. Em um dos registros, Fernando capturou o momento em que Maitê, em uma rede, cantando uma “canção de ninar”, faz a ave adormecer.

O economista disse que no ano passado, por conta da pandemia, começou a pesquisar formas de ter uma arara, seguindo todas as regras e de maneira legalizada. “Eu queria transformar a minha casa, aí eu pensei em ter uma arara ou papagaio dentro de casa”, disse Fernando.

“Eu pesquisei todos as possibilidades e fiz cursos. Eu entrei em uma fila de espera em um criatório legalizado, que possui autorização do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para ter uma animal silvestre em casa”, explicou Fernando.

Fernando explica que na casa dele tem um viveiro de 16m² para que a arara possa dormir — Foto: Fernando Abrahão/Divulgação

Fernando explica que na casa dele tem um viveiro de 16m² para que a arara possa dormir — Foto: Fernando Abrahão/Divulgação

Os cursos não foram as únicas adaptações para que a família recebesse Pipoca. O economista teve que construir um viveiro e entender os recursos necessários para o cuidado com a ave.

“Aqui em casa é bem aberto e tive que construir um viveiro de 16m². Eu coloco ela no viveiro quando ela não está assistida, quando ninguém está de olho nela. No período noturno ela busca o viveiro, ela se sente segura lá”, detalhou Fernando.

Além de ter todas as documentações cedidas pelo criatório, possuir o Guia de Transporte Animal para Campo Grande, notas fiscais e comprovantes da criação da Pipoca, Fernando conta que investiu de R$ 8 mil a R$ 12 mil para ter a ave em casa.

‘Pipoca, membra da família’

Além de ter a documentação necessário, a arara possui anilhas de identificação nas patas — Foto: Fernando Abrahão/Arquivo Pessoal

Além de ter a documentação necessário, a arara possui anilhas de identificação nas patas — Foto: Fernando Abrahão/Arquivo Pessoal

“Da mesma forma que eu dou bom dia para os meus familiares eu tenho que dar bom dia para Pipoca também. Hoje ela é um membro da família, sem dúvidas. Ela participa de tudo aqui em casa. Ela é assídua desde às 6h da manhã até à noite. Toma café da manhã, almoça e janta conosco”, detalhou Fernando.

O economista relembra que os primeiros seis meses de Pipoca foram mais controlados. “Temos que dar um suporte para ave se alimentar, ela não comia sozinha. Além deste processo, a Pipoca passou pelo processo de humanização, que é a adequação às pessoas aqui de casa, eu, Maitê e minha esposa”, contou.

Fernando relata que Pipoca não é a única “pet” em casa, eles possuem uma cadela, a “Filó Mocotó”. De acordo com o economista, além da ave ter uma relação muito forte com Maitê, Pipoca e Filó são “amigas e sempre brincam juntas”.

Além de Pipoca, Filó, a cadela de estimação, faz parte da família, segundo Fernando — Foto: Fernando Abrahão/Arquivo pessoal

Além de Pipoca, Filó, a cadela de estimação, faz parte da família, segundo Fernando — Foto: Fernando Abrahão/Arquivo pessoal

As brincadeiras entre os animais e a criança fazem parte do dia a dia na casa de Fernando. “Ela deita na rede com a minha filha, dorme com ela e fica com ela o dia inteiro”.

Fernando conta que ainda não vivenciaram nenhum agravamento da relação da Pipoca com a filha. Para ele, o processo de humanização da ave, fez com que ela não se sentisse ameaçada com os familiares.

“É um animal com bico forte, temos que ter cuidado, mas ela só usa o bico para se defender, ela não ataca ninguém. Se ela se sentir ameaçada que ela vai te bicar. Este processo de humanização, com as pessoas que ela já está acostumada, ela não tem um comportamento de bicar. Mas não tem nenhum tipo de problema”, disse o economista.

Pipoca não é propriedade de Fernando, o economista explica que: “do animal eu sou um fiel depositário, enquanto ele for vivo. Em alguns casos, se o Ibama for fazer uma vistoria e identificar que o animal está sendo mau tratado, você pode pagar multa e recolher o animal”.

A relação da família com a ave, Pipoca, e até mesmo com a cadela, Filó, vai muito além de eles terem um “pet”, como Fernando explica. “Diferente de um cachorro, a arara vai viver muito mais, pode chegar a 80 anos, então a Maitê será a sucessora da Pipoca”, finalizou.

COMPARTILHE AGORA MESMO
Compartilhar no facebook
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no telegram
Compartilhar no twitter
COMENTE AGORA MESMO!