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Banco do Paraguai é fechado e quase 3 milhões de clientes ficam sem acesso às contas

Banco Central determina encerramento das operações do Ueno Bank por problemas financeiros; cartões, transferências e aplicativos estão suspensos.

O Banco Central do Paraguai (BCP) determinou o fechamento do Ueno Bank, uma das maiores instituições financeiras digitais do país, nesta terça-feira (3). A decisão deixou milhões de clientes temporariamente sem acesso às contas bancárias, cartões e serviços digitais. A instituição possui aproximadamente 3 milhões de clientes e também mantém presença na região de Ciudad del Este, na fronteira com Foz do Iguaçu.

A medida foi aprovada por unanimidade pela diretoria do Banco Central na segunda-feira (2), depois que uma análise identificou graves problemas na situação financeira do banco. Segundo o órgão regulador, o índice de solvência da instituição caiu para menos da metade do mínimo exigido pela legislação paraguaia.

Com a decisão, foram suspensas as operações financeiras do Ueno Bank, incluindo transferências, saques, pagamentos com cartões de débito e crédito e movimentações pelo aplicativo. O Banco Central assumiu o controle do processo e iniciou os procedimentos legais para proteger os recursos dos clientes.

O que acontece com o dinheiro dos clientes?

O Banco Central informou que os depósitos de até 228,3 milhões de guaranis, por pessoa e por instituição financeira, estão protegidos pelo Fundo de Garantia de Depósitos do Paraguai. O valor corresponde a 75 salários mínimos paraguaios.

Segundo as autoridades, os recursos protegidos serão devolvidos aos correntistas por meio de procedimentos que ainda serão comunicados oficialmente. A legislação estabelece um prazo de até 15 dias para uma etapa do processo de resolução bancária, mas o Banco Central afirmou que trabalha para reduzir o período de espera.

Para os clientes que possuem valores superiores ao limite garantido, a recuperação dependerá da avaliação dos ativos e das obrigações financeiras do banco.

Banco Central identificou irregularidades

Durante entrevista coletiva nesta terça-feira, o presidente do Banco Central do Paraguai, Carlos Carvallo, explicou que a fiscalização sobre o Ueno Bank começou em junho, após a identificação de possíveis operações de crédito envolvendo empresas ligadas ao grupo controlador da instituição.

As investigações também apontaram deterioração dos indicadores de liquidez, fragilidades na documentação de operações de crédito e outras irregularidades que contribuíram para a decisão de encerrar as atividades bancárias. O Banco Central informou que os fatos serão encaminhados às autoridades competentes para a apuração de eventuais responsabilidades.

Repercussão na fronteira com Foz do Iguaçu

O fechamento também chama a atenção na região da fronteira, já que o Ueno Bank possui presença comercial no departamento de Alto Paraná, incluindo Ciudad del Este. A suspensão dos serviços pode afetar moradores, trabalhadores e empresas que utilizam contas e cartões da instituição para movimentações financeiras no Paraguai. Até o momento, não há levantamento oficial sobre a quantidade de clientes brasileiros atingidos.

O caso também provocou repercussões políticas no Paraguai. Carlos Carvallo anunciou que apresentou sua renúncia à presidência do Banco Central, embora tenha informado que permanecerá temporariamente no cargo para acompanhar o processo de resolução da instituição.

Apesar da gravidade da situação, o Banco Central afirmou que o problema é específico do Ueno Bank e não representa uma crise generalizada no sistema financeiro paraguaio. Os clientes devem acompanhar as orientações divulgadas pelo Banco Central do Paraguai, responsável por informar os procedimentos para recuperação dos depósitos.

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