Em 2020, quase 60% dos focos de incêndios no Pantanal foram provocados por ações humanas, dizem MPs

Por José Câmara, G1 MS

Pantanal está sendo destruído pelo fogo — Foto: Mayke Toscano - Secom - MT

Pantanal está sendo destruído pelo fogo — Foto: Mayke Toscano – Secom – MT

Em um estudo apresentado pelos Ministérios Públicos de Mato Grosso do Sul (MPMS) e Mato Grosso (MPMT) identificou que quase 60% dos focos de incêndios que afetaram o Pantanal em 2020 foram provocados por ações humanas, e possuem a probabilidade de ligação com atividades agropastoris.

“O que chama atenção é que boa parte deste incêndio, que prejudicou inúmeros municípios e milhares de propriedades rurais, originou-se em, aproximadamente, 286 pontos de ignição, sendo 152 em propriedades privadas (registradas no CAR), 80 em áreas indígenas, 53 em áreas não identificadas e apenas 1 em unidades de conservação”, os MPs detalharam em nota.

Na nota divulgada na última segunda-feira (5), os Ministérios Públicos explicaram que “foram isolados os focos iniciais de incêndios nas propriedades traçando um raio de 200 metros de redes elétricas (2,43%), estradas públicas (0,97%), estradas particulares (16,99%) e margens de rios (21,84%), sendo que 57,77% dos focos iniciais ocorreram no interior destas, o que demonstra uma grande probabilidade de terem ligação com as atividades agropastoris”.

O relatório descriminou que 21 cidades de Mato Grosso do Sul e de Mato Grosso foram atingidas com as queimadas no bioma em 2020. Ao todo, de acordo com os MPs, 2.058 propriedades foram prejudicas, 16 Unidades de Conservação e seis terras indígenas.

O levantamento também apresenta a quantidade da área que foi devastada com as queimadas no ano passado. Os dados mostram que de 01/01/2020 a 30/11/2020 foram consumidos 4,5 milhões de hectares do Pantanal.

Com o alto número, os MPs apontaram que o ano de 2020 foi o que teve mais registros de fogo no Pantanal desde o fim da década de 90, quando se iniciou o monitoramento pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Os dados foram compilados pelos setores de geoprocessamento do MPMS e do MPMT. Os órgãos informaram que o relatório técnico ajudará na elaboração de estratégias de atuação para trabalhar tanto na forma preventiva, quanto na repressiva, a fim de minimizar ocorrências como as de 2020, em períodos futuros.

Programa de prevenção às queimadas no Pantanal

Segundo o promotor Luciano Loubet, que está à frente do Programa “Pantanal em Alerta”, os MPEs as informações são fundamentais para a definição de estratégias de trabalho.

“Tendo esses nossos estudos, vamos olhar melhor para os incêndios. Vimos que muitos focos começaram às margens de rios, em beiras de estradas, e 60% deles aconteceram dentro de uma atividade rural isolada. É muito improvável que algum produtor tenha feito isso intencionalmente, apenas para causar dano. O que queremos, portanto, é uma prevenção”, ponderou.

Um programa em parceria entre os Ministérios Públicos Estaduais (MPE) de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, quer minimizar os efeitos das queimadas no Pantanal em 2021. Para isso, os MPEs identificaram as áreas onde mais ocorreram focos de queimadas em 2020 e pretendem notificar produtores para que eles adotem medidas preventivas contra o fogo.

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