Força Nacional, Polícia Militar e Departamento de Operações de Fronteira (DOF) reforçam a segurança nos arredores da fazenda em Caarapó (MS), onde o conflito por terras entre indígenas e policiais dura cerca de um mês.
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Indígenas ocuparam e incendiaram fazenda em Caarapó (MS). — Foto: PMMS/Reprodução
Equipes da Polícia Militar, da Força Nacional e do Departamento de Operações de Fronteira (DOF) estão na fazenda para monitorar a área ocupada. Helicópteros sobrevoam o local para identificar pontos de incêndio.
Segundo apurado pelo g1, cerca de 30 indígenas ocuparam a propriedade no início da manhã deste sábado e incendiaram um trator e a casa que fica na sede da Fazenda Ipuitã. Até a última atualização, os indígenas permaneciam no local. Não há feridos no local.
⚠️A fazenda fica às margens de uma aldeia e, segundo os indígenas, parte da área pertence à Terra Indígena Guyraroká. Parte do território já foi declarada oficialmente, enquanto a outra, onde está a propriedade rural, ainda está em processo de demarcação. Para os indígenas, o local é sobreposto ao território ancestral. Os fazendeiros afirmam que se trata de propriedade privada.
O g1 questionou o governo do estado e o Ministério dos Povos Indígenas (MPI) sobre a ação, mas não recebeu retorno até a última atualização. A administração da fazenda não foi localizada. A Polícia Militar afirmou, em nota, que acompanha a situação (leia a nota na íntegra mais abaixo).
Indígenas ocupam fazenda em Caarapó
Segundo a Polícia Militar, equipes de segurança e do Corpo de Bombeiros foram acionadas via 190 no início da manhã, logo após a ocupação. A primeira informação indicava que mais de 30 indígenas armados teriam ocupado a propriedade. A polícia não detalhou os tipos de armas.
Ainda segundo a corporação, os indígenas expulsaram o caseiro da sede e colocaram fogo no local. As chamas se espalharam e formaram densa fumaça sobre a área.
Ao g1, fontes do Conselho Missionário Indigenista (Cimi) afirmaram que a ocupação foi uma medida de proteção diante dos conflitos recentes. Os indígenas dizem ter sido ameaçados e feridos por jagunços e por equipes de segurança.
O representante do Cimi em Mato Grosso do Sul, Matias Rempel, explica que a ocupação se deu após uma sequência de conflitos. “Categorizamos a ocupação como uma ação de segurança dos Guarani-Kaiowá, que segue sofrendo ataque pelo estado e pela fazenda. Está é uma medida de ocupação para precaver a própria vida, as vidas dos indígenas”.
Há uma semana, cerca de 10 indígenas Guarani-Kaiowá que ocupam outra área em Caarapó foram atingidos por tiros de bala de borracha. Entre os feridos está Valdelice Veron, uma das principais representantes da etnia no estado.
Em nota, o Cimi afirma que desde que retomaram a terra, famílias indígenas têm sofrido ataques ilegais de forças de segurança, sem reintegração de posse ou mandatos judiciais.
“Os indígenas pedem proteção a suas vidas, e que o Estado garanta a demarcação do território. Os kaiowa vivem em apenas 50 hectares dos mais de 11.400 declarados, onde a maioria deste território se encontra em profundas condições de degradação ambiental pelo mal uso da terra por parte dos fazendeiros que não foram devidamente desintrusados”, destaca a nota do Cimi.
Fazenda está às margens de aldeia e sobreposta à Terra Indígena
O local ocupado é uma área de retomada, considerada terra ancestral e em processo de demarcação. O processo específico da Fazenda Ipuitã está parado no Supremo Tribunal Federal (STF) desde 2016.




