O objetivo é ouvir familiares e testemunhas e levantar medidas urgentes para reforçar a segurança da comunidade, onde vivem cerca de 3.800 indígenas.
Por Mirian Machado, g1 MS — Mato Grosso do Sul
O Ministério dos Povos Indígenas (MPI) enviou uma equipe a Mato Grosso do Sul após a morte do vice-cacique Guarani Kaiowá, Givaldo Santos Kaiowá, de 40 anos, executado a tiros na noite de sexta-feira (1º), na Reserva Indígena Taquaperi, no sul do estado. Ele deixa uma esposa, seis filhos e um neto.
Segundo o ministério, técnicos do próprio MPI e da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), com apoio da Força Nacional de Segurança Pública, estiveram no local no sábado (2). O objetivo foi ouvir familiares e testemunhas e levantar medidas urgentes para reforçar a segurança da comunidade, onde vivem cerca de 3.800 indígenas.
O crime aconteceu às margens da rodovia MS-289, entre Coronel Sapucaia e Amambai. De acordo com relatos de moradores, dois homens em uma motocicleta procuraram pelo líder na aldeia e, minutos depois, ele foi baleado na beira da estrada. Givaldo, que havia assumido o cargo em 3 de janeiro, havia saído para buscar o irmão quando foi atacado.
Protesto e cobrança por justiça
Quando a equipe chegou à reserva, encontrou um protesto de indígenas que bloqueavam a rodovia. O grupo cobrava a prisão dos responsáveis pelo assassinato e denunciava a sequência de mortes de lideranças na região.
Segundo o MPI, outros dois vice-caciques — Samuel Kaiowá e Lúcio Kaiowá — foram mortos no ano passado.
Durante o ato, a comunidade também pediu medidas para aumentar a segurança na rodovia, como iluminação, instalação de câmeras, radares e a construção de uma passarela. O bloqueio foi encerrado após a chegada das autoridades.
Região com histórico de violência
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Assassinato de vice-cacique leva reforço de segurança a reserva indígena em MS — Foto: Letícia Rocha- MPI
O ministério destacou que a região é marcada por conflitos fundiários e pela presença de grupos criminosos. Lideranças indígenas afirmam que Givaldo vinha cobrando investigações sobre outros casos recentes, incluindo o atropelamento de indígenas na rodovia.
Há relatos ainda de que o vice-cacique havia apreendido drogas dentro da reserva, o que pode ter aumentado a tensão local.
A comunidade critica a demora das autoridades em responder aos episódios de violência. Para os moradores, os crimes reforçam um histórico de violações de direitos e insegurança nas aldeias.
Ações do governo federal
O Ministério dos Povos Indígenas afirmou que mantém um Gabinete de Crise voltado à situação dos Guarani Kaiowá desde 2023. O grupo atua em três frentes principais: território, direitos sociais e segurança pública.
Entre as ações já realizadas no estado, o governo cita:
- projetos de geração de renda e proteção cultural nas aldeias;
- perfuração de poços para ampliar o acesso à água;
- iniciativas para mediação de conflitos fundiários;
- programas voltados à segurança e direitos básicos das comunidades.
O ministério também manifestou solidariedade à família de Givaldo e reforçou o compromisso com a proteção dos povos indígenas.
População indígena em MS
Dados do Censo 2022 mostram que Mato Grosso do Sul tem a terceira maior população indígena do país. São mais de 116 mil indígenas no estado, sendo que cerca de 43 mil pertencem ao povo Guarani Kaiowá.
A presença indígena se estende por praticamente todos os municípios, e a região sul concentra parte dos conflitos ligados à disputa por terras.
O caso segue sob investigação da Polícia Civil.
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Givaldo da Silva Gomes, de 40 anos, foi morto a tiros em Coronel Sapucaia (MS) — Foto: Redes sociais/ Cimi





