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“O silêncio protege os culpados”: A luta solitária da viúva do jornalista Leo Veras contra 6 anos de impunidade

Em uma carta aberta dilacerante, a viúva de Leo Veras denuncia a inércia do Estado, as ameaças que ainda sofre e o medo de criar os filhos sob a sombra da injustiça. “Ser vítima em nosso país parece ser uma condenação adicional”, desabafa.

Por Lile Corrêa*

Seis anos. Para as instituições de justiça, talvez seja apenas o tempo de um processo acumulando poeira em uma prateleira. Para a viúva do jornalista Leo Veras, assassinado brutalmente em 12 de fevereiro de 2020, cada dia desses seis anos foi uma batalha pela sobrevivência — não apenas emocional, mas física.

Nesta semana, em uma Carta Abierta (Carta Aberta) assinada pela Dra. Cintia Gonzalez endereçada à Procuradoria, ao Poder Judiciário e à opinião pública, ela quebrou o silêncio para expor uma realidade cruel: a de que a violência contra o jornalismo não termina no disparo de uma arma. Ela se prolonga na negligência do Estado.

Uma ferida que não fecha

Leo Veras foi morto por exercer sua profissão. Seis anos depois, a investigação é descrita pela família como lenta e insuficiente. Mas o que choca no relato não é apenas a falta de culpados na prisão, mas a revitimização constante.

“Tenho tido que viver com medo, criar nossos filhos no meio da insegurança e sustentar a memória do meu esposo praticamente sozinha, sem o amparo efetivo do Estado que deveria nos proteger”, diz um trecho da carta.

Ameaças em vez de proteção

O relato atinge um ponto ainda mais alarmante quando a viúva revela que, ao exigir respostas, recebeu em troca novas ameaças. Ela afirma ter denunciado formalmente estas pressões às autoridades, mas o resultado foi o mesmo de sempre: silêncio e falta de garantias.

Para ela, a mensagem que o sistema envia é clara e perigosa: matar um jornalista e ameaçar sua família “sai de graça”.

As 5 exigências por justiça

A carta encerra com um apelo que é, na verdade, um ultimato às autoridades. A família exige:

Avanços reais e verificáveis na investigação.

Identificação e punição de todos os responsáveis (materiais e intelectuais).

Garantias de segurança para a família.

Investigação imediata das ameaças recentes.

O fim da utilização política desta tragédia.

Por que isso importa para todos nós?

O assassinato de um jornalista é um ataque direto à democracia e ao direito de cada cidadão de ser informado. Quando o Estado se cala diante da morte de um comunicador, ele permite que o medo paute a sociedade.

A viúva de Leo Veras encerra seu manifesto com uma promessa de resistência: “Eu seguirei falando. Seguirei denunciando. A memória de Leo Veras não se apaga. E minha busca por justiça, tampouco.”

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