PF desarticula grupo que simulava viajar para pagar promessas para levar drogas de MS para SP

Por Graziela Rezende, G1 MS

A Polícia Federal (PF), com o apoio da Receita Federal, deflagrou nesta quinta-feira (21) ação para desarticular organização criminosa voltada ao tráfico interestadual de drogas e lavagem de dinheiro. São ao todo 10 mandados de prisão temporária e mais 14 mandados de busca e apreensão nas cidades de Deodápolis e Dourados, na região sul do estado.

Os policiais ainda cumprem 44 ordens judiciais da 2ª Vara Criminal de Dourados, entre eles ordem de sequestro e bloqueio de mais de R$ 10 milhões em bens móveis, imóveis da organização criminosa e de valores depositados em contas bancárias dos investigados, além de 12 ônibus avaliados em mais de R$ 11 milhões.

A operação, que levou o nome de Viagem Santa, teve início em 2019, após a PF, com o apoio da Polícia Rodoviária Federal (PRF) apreender mais de meia tonelada de cocaína escondida em um ônibus de turismo. Ao longo das investigações, houve mais duas apreensões com quase 400 kg de maconha, também em veículos de transporte de passageiros, todos com destino a cidade de São Paulo (SP).

Conforme a investigação, todas as empresas envolvidas nas apreensões são de Dourados e, na ocasião da apreensão, apenas os motoristas de tais veículos foram responsabilizados pelo transporte da droga. No entanto, a entrega do ilícito ocorria na capital paulista.

Os policiais também apuraram que a organização criminosa montou uma rede de empresas de fachada, para lavar o dinheiro do tráfico de drogas, além de empresas de transporte de passageiros, cujos veículos eram utilizados para transportar a droga. O núcleo organizacional da empresa era dividido na logística do carregamento e transporte da droga, agenciamento das viagens e recrutamento dos passageiros e a lavagem de dinheiro.

Para não chamar a atenção das autoridades, os empresários do esquema criaram uma história, em que o passageiro dizia estar “pagando uma promessa” e por isso tinha a viagem financiada até a cidade de Aparecida (SP), tendo pagas todas as despesas de transporte, alimentação e hospedagem.

No entanto, todos os custos da viagem eram bancados com o lucro da venda da droga que era transportada nos ônibus do grupo criminoso e por isso a operação levou o nome “Viagem Santa”.

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