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PF faz operação contra Trust Investing, suspeita de esquema de pirâmide com criptomoedas

Por Thais Libni, g1 MS — Mato Grosso do Sul

Operação “La Casa de Papel”. — Foto: Polícia Federal

Operação “La Casa de Papel”. — Foto: Polícia Federal

Como funcionava o esquema

 

A empresa gerenciada pelos investigados oferecia pacotes de investimentos a partir de US$ 15, com promessa de ganhos diários, que poderiam chegar a até 20% ao mês e mais de 300% ao ano, por meio de transações no mercado de criptoativos por supostos “traders” a serviço da empresa, os quais seriam utilizados para multiplicar o capital investido.

Investimentos com supostos lucros vindos de minas de diamantes e esmeraldas que a empresa possuía no Brasil e exterior, em mercado de vinhos, de viagens, também eram oferecidos.

O dinheiro foi movimentado por contas bancárias dos investigados, empresas de fachada, parentes, além de terceiros ligados ao grupo. — Foto: Polícia Federal

O dinheiro foi movimentado por contas bancárias dos investigados, empresas de fachada, parentes, além de terceiros ligados ao grupo. — Foto: Polícia Federal

Além de vender a imagem de que toda a empresa era legalizada em diversos países do mundo, os investigados, usavam as redes sociais para persuadir as vítimas com o discurso de sucesso pessoal e de investimentos, por meio de publicações de ostentação, como viagens internacionais para Dubai, Cancun e Europa.

Todo dinheiro arrecadado era movimentado em contas bancárias dos investigados, empresas de fachada, parentes, além de terceiros ligados ao grupo, que, inclusive, contou com o auxílio de uma entidade religiosa que, sozinha, movimentou mais de R$ 15 milhões.

Criptomoedas

 

Em 2021, o grupo criou e lançou duas criptomoedas, sem qualquer lastro financeiro, para manter a pirâmide financeira o mais tempo possível em atividade.

“Foi identificada manipulação de mercado para valorizar uma das moedas artificialmente em 5.500% em apenas 15 horas, com pico de até 38.000%, dias depois. Após alta meteórica e especulativa promovida pelos investigados, as criptomoedas perderam todo o valor de mercado e a cotação passou a romper em diversas casas decimais abaixo do centavo de dólar, resultando em perda quase que completa da liquidez”, disse a PF.

 

Dificuldade de pagamentos e ‘ataque hacker’

 

A PF cita que com a prisão de um dos chefes do esquema em Cuba, os grupo iniciou justificativas para a ausência de pagamentos. “Os fundadores da organização cessaram os pagamentos dos valores aos cubanos sob a justificativa, divulgada nas redes sociais, de que o governo de Cuba teria impedido a empresa de ajudar o país”, disse.

A investigação demonstrou que os investigados combinaram um “ataque hacker” no final de 2021. “Os líderes da organização criminosa alegaram um imenso prejuízo financeiro com a ação e retiveram todo o dinheiro dos investidores a tal pretexto, propondo a suspensão de todos os pagamentos sob o argumento da necessidade de uma auditoria financeira.”

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