
Santiago Peña llega como detenido a la Fiscalía General del Estado, para prestar declaración.
ASSUNÇÃO — O avanço das investigações sobre as operações financeiras envolvendo o Banco Ueno e o Instituto de Previdência Social (IPS) colocou o ex-presidente do Paraguai, Santiago Peña, no centro dos holofotes. Apontado pela Procuradoria Geral como o principal fiador e defensor público das empresas ligadas ao Grupo Vázquez, Peña respondeu com ataques à imprensa ao ser questionado sobre suas conexões com a instituição financeira, enquanto evidências técnicas e reuniões de bastidores passam a integrar o processo.
De acordo com o Ministério Público, o ex-mandatário manteve um respaldo firme e ostensivo ao banco, ignorando sucessivos alertas e pareceres técnicos emitidos ao longo de 2026 sobre os riscos e irregularidades das operações.
Reuniões de Bastidores e a Compra de Títulos do IPS
Entre as provas e indícios reunidos pelos investigadores, destaca-se a cronologia dos encontros que antecederam a milionária transação entre o fundo de pensão dos trabalhadores e o banco privado:
Encontro Estratégico: Documentos e registros oficiais apontam que Santiago Peña esteve reunido com o titular do IPS apenas dois dias antes da aprovação da compra dos títulos.
Aporte Milionário: Logo após a reunião, a diretoria do IPS deu o aval para a aquisição de títulos da dívida (bonos) do Banco Ueno no valor de G. 250.000 milhões (duzentos e cinquenta bilhões de guaranies).
Alertas Ignorados: A transação ocorreu a despeito dos relatórios de risco que orientavam cautela e apontavam vulnerabilidades na saúde financeira e na estrutura de governança da entidade ligada ao Grupo Vázquez.
Ataques à Imprensa e Respaldo Político

Questionado pelo diário ABC Color sobre o conflito de interesses e seus vínculos diretos com o conglomerado econômico, o ex-presidente adotou uma postura de confronto, classificando as denúncias como perseguição política em vez de esclarecer os critérios técnicos que justificaram a operação.
Entretanto, as evidências colhidas pela fiscalia sustentam que o apoio institucional concedido por Peña foi determinante para validar a entrada do Grupo Vázquez em grandes negócios com o setor público paraguaio, gerando forte repercussão política e institucional no país.



