“Viva São João !” Rosildo Barcellos*

“Viva São João !”

Rosildo Barcellos*

É um momento azado para contar uma das versões, do motivo que se comemora o São João. História tão tradicional como hodierna. Situados na região pantaneira, do Mato Grosso do Sul, às margens do rio Paraguai, Corumbá e Ladário são municípios contíguos, distantes cerca de 425 km da capital. Corumbá possui cerca de 112 mil habitantes; Ladário, 23 mil.

Na fronteira com a Bolívia, a região tem um histórico no processo de formação do território brasileiro a partir da expansão colonial das coroas Portuguesa e Espanhola. Devido à pandemia, desde 2020, um evento que era um dos mais movimentados do Brasil: o Banho de São João, vem sendo realizado apenas em âmbito doméstico.

Novenas, terços, alvoradas e levantamento de mastro são promovidos em cada residência, limitando-se o acesso à comunidade. O próprio banho na imagem do santo é feito dentro das próprias casas. Congregando o culto a São João Batista e concomitantemente, ao orixá Xangô, a festividade reúne uma série de rituais, como procissões, cortejos, novenas e giras em terreiros de candomblé e umbanda, reunindo a população em fé, comunhão e afeto. Antes do Covid – 19, a zona portuária de Corumbá, que já é protegida por lei, se transmutava em um arraial pantaneiro.

Os cururueiros e suas violas de cocho, ofertavam um toque musical à festa, que também recebia influência da cultura boliviana.

A festa é realizada sempre no dia 23 de junho em Corumbá e é considerada Patrimônio Cultural e Imaterial de Mato Grosso do Sul pelo Decreto Nº 12.923/10. Na verdade, Santa Isabel era muito amiga da prima, Nossa Senhora e, por isso, costumavam visitar-se.

Uma tarde, Isabel foi à casa de Maria de Nazaré, e aproveitou para contar-lhe que, dentro de algum tempo, iria nascer seu filho, que se chamaria João Batista. Nossa Senhora, então, perguntou-lhe: – Como poderei saber do nascimento do garoto?

– Acenderei uma fogueira bem grande; assim você de longe poderá vê-la e saberá que nosso filho nasceu. Mandarei, também, erguer um mastro, com um brinquedo sobre ele.

Santa Isabel cumpriu a promessa. Um dia, Nossa Senhora viu, ao longe, o efeito das chamas. Dirigiu-se para a casa de Isabel e encontrou o menino João Batista, que mais tarde seria um dos santos mais importantes da religião católica. Isso se deu no dia vinte e quatro de junho. Começou, assim, a ser festejado São João com mastro, e fogueira.

E por falar nisso, também gostaria de contar porque existem o estalar dos fogos, para alegrar os festejos de São João. Pois bem, antes de São João nascer, seu pai, São Zacarias, andava muito triste. Certa vez, apareceu-lhe um anjo em halo, e anunciou que Zacarias ia ser pai. A sua alegria foi tão grande que Zacarias perdeu a voz e emudeceu.

No dia do nascimento, mostraram-lhe o menino e perguntaram como desejava que se chamasse. Zacarias fez grande esforço e, por fim, conseguiu dizer:

– João!

Desse instante em diante, Zacarias voltou a falar. Todos ficaram alegres. Eram vivas para todos os lados. Momento que deu início, a tradição das “bombinhas “, durante os festejos juninos, mas nem tanto pelos animais, notadamente os caninos; em função de sua audição apurada.

A influência brasileira na tradição da festa pode ser percebida na alimentação, quando foram introduzidos o aipim (mandioca), milho e jenipapo. Os franceses, acrescentaram a quadrilha, passos e marcações inspirados na dança da nobreza europeia. Já os fogos de artifício, que tanto embelezam a festa, foram trazidos pelos chineses.

A dança-de-fitas, comum no sul do Brasil, é originária da Espanha. Para os evangélicos, o batizado de Jesus; por João, o Batista; no Rio Jordão, marca o início de seu ministério.

“Viva São João !” Rosildo Barcellos*

*Articulista

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