Organização criminosa tinha divisão de tarefas, operadores financeiros, homens armados e suspeita de apoio de agentes públicos. Investigação aponta atuação pelo menos desde 2018.
Por Mirian Machado, Gabi Cenciarelli, g1 MS — Mato Grosso do Sul
Uma organização criminosa liderada por três irmãos e outros integrantes da própria família mantinha uma estrutura dividida em diferentes funções para traficar drogas e armas entre países. O grupo comprava os produtos na Bolívia, no Paraguai e no Peru, utilizava a fronteira de Mato Grosso do Sul para levar as cargas ao Brasil e abastecia outros estados. Parte dos entorpecentes também tinha como destino a Europa, principalmente Espanha e Portugal.
A estrutura foi detalhada pela Polícia Federal e pela Receita Federal durante a investigação que resultou na Operação IFRIT, deflagrada nesta quarta-feira (4), em sete estados.
Segundo os investigadores, o comando ficava concentrado em um núcleo familiar formado por três irmãos, filhos e outros parentes. Abaixo das lideranças, havia integrantes responsáveis pelas finanças, transporte, logística e segurança armada.
A divisão de tarefas permitia que diferentes pessoas cuidassem de etapas específicas do esquema, desde a compra das drogas e armas até a distribuição das cargas e a movimentação do dinheiro.
Fronteira de MS era porta de entrada das cargas
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Família comandava esquema de tráfico com armas pesadas, blindados e rota para a Europa — Foto: Receita Federal/ Polícia Federal
De acordo com a investigação, drogas e armamentos eram adquiridos principalmente na Bolívia, no Paraguai e no Peru. Os produtos entravam no Brasil pela faixa de fronteira de Mato Grosso do Sul e depois eram encaminhados para municípios do estado e outras unidades da federação, especialmente São Paulo, Paraná e Santa Catarina.
O Brasil também era utilizado como ponto de apoio para o envio de drogas ao exterior. Os entorpecentes eram armazenados e transportados por uma estrutura logística que atendia às remessas destinadas ao mercado europeu, principalmente Espanha e Portugal.
Grupo usava blindados, drones e armas pesadas
Para manter as atividades e proteger seus integrantes, a organização contava com armamento de alto poder ofensivo, equipamentos de comunicação, drones e veículos blindados.
Segundo a PF e a Receita Federal, também havia estruturas destinadas a abrigar integrantes armados e estratégias de contrainteligência, usadas para dificultar a descoberta das atividades criminosas e proteger as lideranças.
A investigação identificou ainda possíveis vínculos com facções criminosas e a colaboração de agentes públicos. Policiais teriam fornecido informações estratégicas e apoio ao funcionamento da organização.
Delegado já havia sido preso em operação do Gaeco
Um dos alvos da Operação IFRIT é o delegado da Polícia Civil Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa, que recentemente também foi investigado em outra operação contra o crime organizado em Mato Grosso do Sul. Em 24 de setembro, ele se entregou à Corregedoria da Polícia Civil e foi preso durante a Operação Infiltrados, realizada pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS).




