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Parceria entre Embrapa e Cocamar apresenta tecnologias para aumentar a produtividade em solos arenosos

Dia de Campo em Anaurilândia, MS, reuniu produtores e técnicos para conhecer resultados de pesquisas da Embrapa Agropecuária Oeste sobre soja, integração lavoura-pecuária e recuperação da qualidade do solo

Tecnologias voltadas ao aumento da produtividade da soja em solos arenosos e para a recuperação produtiva de áreas de pastagens degradadas foram apresentadas durante o Dia de Campo realizado pela Embrapa Agropecuária Oeste (Dourados, MS), Cocamar Cooperativa Agroindustrial e Fazenda Cerrado 3A, no dia 18 de junho, em Anaurilândia, na região leste de Mato Grosso do Sul. O evento contou com o apoio da Massari Horii Fertilizantes.

O evento reuniu produtores rurais, técnicos, consultores e profissionais do setor agropecuário da região para conhecer resultados obtidos pela Embrapa em uma região marcada por solos de maior fragilidade, com baixa retenção de água e maior exposição aos efeitos das estiagens.

No Dia de Campo, pesquisadores da Unidade da Embrapa de Dourados apresentaram resultados preliminares do projeto “Produção Sustentável de Soja na Região Leste de Mato Grosso do Sul” iniciado em julho de 2025. Com o projeto, o objetivo é caracterizar os desafios e oportunidades para a região, propondo formas mais adequadas de correção do solo e diversificação de cultivos, aumentando o potencial agropecuário e a estabilidade econômica do produtor rural, mesmo diante de desafios climáticos recorrentes da região.

Segundo Auro Akio Otsubo, chefe-adjunto de Transferência de Tecnologia da Embrapa Agropecuária Oeste, a região é desafiadora e parabenizou a Cocamar por compreender a importância de se trabalhar com alternativas de produção e uso de novas tecnologias. “É interesse regional e existe potencial que pode mudar a realidade. Nosso objetivo é oferecer soluções que permitam produzir mais, com sustentabilidade e maior segurança frente aos desafios climáticos”, destacou Otsubo, falando em nome de Harley Nonato de Oliveira, chefe-geral da Embrapa Agropecuária Oeste.

Para o Luiz Lourenço, presidente do Conselho de Administração da Cocamar, a aproximação entre pesquisa e produtores é fundamental para acelerar a adoção de tecnologias. “Quando se tem tecnologia, tem segurança. Temos uma riqueza enorme para ser produzida em cada hectare, sem degradar, com solo vivo, com sustentabilidade”, afirmou Lourenço.

Combinação de fatores

A programação foi aberta por Rodrigo Arroyo Garcia, pesquisador da Embrapa Agropecuária Oeste, que apresentou estudos sobre sistemas de produção de soja em regiões de solos mais arenosos e de baixa altitude. Os resultados mostram que a produtividade da cultura está diretamente relacionada às condições climáticas, especialmente à disponibilidade de água.

Segundo o pesquisador, a adoção de práticas de manejo capazes de melhorar o ambiente produtivo é fundamental para reduzir riscos. Os resultados demonstram que não existe uma solução única para regiões mais desafiadoras com predomínio de solos arenosos. “O sucesso da produção depende da combinação de diversas práticas agropecuárias combinadas, como escolha de cultivares, construção da fertilidade no perfil do solo e uso de plantas de cobertura, sempre levando em consideração as características regionais”, afirmou.

Garcia também apresentou resultados com alternativas para a entressafra, incluindo gramíneas forrageiras perenes e leguminosas de cobertura por meio de consórcios, além de espécies para produção de grãos, como milho, sorgo, milheto, gergelim e carinata, sendo que as duas últimas são estudos preliminares da Embrapa em Mato Grosso do Sul.

“A análise de solo também é um indicativo que o bom manejo do sistema de produção pode trazer benefícios para maior estabilidade produtiva. Quando conseguimos melhorar a capacidade do solo em armazenar água, além de melhorar sua fertilidade, reduzimos os riscos associados aos períodos de seca e altas temperaturas”, explicou.

Integração aumenta a resiliência das lavouras

Na sequência, o pesquisador Cesar José da Silva apresentou resultados obtidos em áreas experimentais conduzidas sob sistemas de Integração Lavoura-Pecuária (ILP), estratégia considerada fundamental para recuperar áreas degradadas e ampliar a eficiência produtiva em regiões com solos arenosos.

Ele fez a contextualização do Sistema São Mateus (clique e saiba mais), tecnologia desenvolvida pela Embrapa sob a liderança do pesquisador Júlio Cesar Salton, modelo de integração para potencializar áreas restritivas e viabilizar a agropecuária em regiões de solos arenosos.

“A Integração Lavoura-Pecuária é uma estratégia de diversificação e uma ferramenta de construção de solo, aumento da resiliência produtiva e redução dos riscos climáticos para o produtor”, ressaltou.

“Os dados históricos mostram que os sistemas integrados conseguem responder melhor em anos difíceis. A palhada acumulada e a melhoria da qualidade do solo ajudam a aumentar o armazenamento de água e garantem maior estabilidade produtiva”, afirmou Silva.

Manejo integrado melhora a qualidade do solo

Os participantes também conheceram resultados apresentados pelo pesquisador Carlos Hissao Kurihara, da Embrapa Agropecuária Oeste. Segundo ele, a incorporação de calcário com arado de aiveca propicia a correção da acidez do solo até 40 cm de profundidade; por outro lado, a aplicação superficial de corretivos, sem a incorporação, pode se tornar uma alternativa viável, desde que associados ao cultivo de culturas de cobertura e ao uso de fontes de alta solubilidade.

O pesquisador Laércio Augusto Pivetta complementou, afirmando que os melhores resultados surgem quando a correção do solo adequada é associada ao uso de plantas com sistema radicular vigoroso e diversificado, promovendo a reestruturação física e biológica do solo”, explicou.

ILP

O pesquisador Luís Armando Zago Machado destacou a importância da presença de leguminosas nas áreas de pastagem para evitar a rápida degradação do solo. Os dados apresentados indicam que um rebanho de 33 animais, manejado em uma área total de 12,4 hectares durante 129 dias, registrou ganho médio diário de 0,700 kg por animal. A pastagem foi arrendada a um pecuarista. Caso o modelo fosse de parceria com a divisão do ganho, tanto o pecuarista quanto o agricultor poderiam obter ganho bruto de R$ 1.353,00 por hectare neste período. “A produção animal apresenta menor risco dentro do sistema de Integração Lavoura-Pecuária (ILP), assim como a produção de grãos. A presença do gado contribui para o aumento da produtividade da soja e estimula a restauração biológica do solo”, afirmou.

Segundo Zago, entre as pastagens avaliadas nas Unidades de Referência Tecnológica (URTs) da Fazenda Cerrado 3ª, as cultivares de Brachiaria brizantha Xaraés e BRS Paiaguás se destacaram por apresentar a maior produção de massa verde, alcançando 50 toneladas cada.

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